Política e religião
Einstein considerava-se
um
socialista.
Neste artigo de
1949, descreveu a "fase predatória do
desenvolvimento humano", exemplificada pelo
anarquismo
capitalista da sociedade, como uma origem de mal
a ser ultrapassada. Não concordava com os
regimes totalitários de inspiração socialista.
No início, foi a favor da construção da bomba
atômica para derrotar
Adolf Hitler, mas depois da guerra fez pressão a
favor do
desarmamento nuclear e de um governo mundial.
Pelo fato de defender
os
direitos civis e das suas idéias socialistas,
Einstein chamou a atenção do
FBI, que o investigou sob a acusação de
pertencer ao
Partido Comunista. O governo americano
recentemente liberou os arquivos que contêm a sua
visão sobre a pessoa de Einstein e as suas
atividades pessoais e políticas. Num desses
arquivos comenta-se que o cientista era
"inadmissível para os
Estados Unidos" por várias razões,
principalmente porque, segundo as palavras dos
serviços, cria, aconselhava e ensinava uma
doutrina anarquista, além de ser membro e
afiliado a grupos que admitiam "atuar ilegalmente
contra os princípios fundamentais do governo
organizado".
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Einstein e
Oppenheimer |
Einstein era
profundamente pacifista, tendo intervindo diversas
vezes a favor da paz no mundo e do abandono das
armas nucleares. Em
1944, um manuscrito do seu trabalho de 1905,
devidamente
autografado, foi leiloado, revertendo os cerca
de seis milhões de dólares que foram arrecadados
para a ajuda às vítimas da
Segunda Guerra. Este documento encontra-se hoje
na Livraria Americana do Congresso.
Uma semana antes de sua
morte assinou a sua última carta, endereçada a
Bertrand Russell, concordando em que o seu nome
fosse incluído numa petição exortando todas as
nações a abandonar as armas nucleares.
Einstein era também um
sionista cultural convicto, tendo em diversas
ocasiões defendido o desenvolvimento do Estado
Judaico na Palestina. Em particular, foi membro do
conselho de governadores da
Universidade Hebraica de Jerusalém. Sendo
anti-nacionalista e pacifista esteve no entanto
contra alguns dos acontecimentos que levaram ao
nascimento do Estado Judaico. Einstein acreditava
que o estado de Israel deveria acolher judeus e
palestinos de modo pacífico, num modelo
confederacional semelhante ao estado suíço.
Einstein era religioso,
no entanto não professava a fé judaica. Do ponto de
vista religioso, era próximo do
deísmo de
Baruch Spinoza: acreditava que Deus se revelava
através da harmonia das leis da natureza e rejeitava
o Deus pessoal que intervém na História. Era também
crente no total determinismo do universo e excluía a
possibilidade do livre arbítrio dos seres humanos.
Para Einstein "o Homem é livre de fazer o que quer,
mas não é livre de querer o que quer", o que
significa que o Homem age sempre de forma
compulsiva, sem uma verdadeira liberdade, todos os
seus atos estão determinados pelas leis da
natureza.
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Selo
mostrando Albert Einstein. Esse selo foi
confeccionado em 2005 em comemoração ao ano
da física. |
A seguinte carta breve
de Einstein, escrita a
24 de Setembro de
1946 a Isaac Hirsch, o presidente da Congregação
B'er Chaym, ilustra bem a relação de Einstein com a
religião judaica e o seu sentido de humor típico:
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Meu caro Sr.
Hirsch,
Muito
obrigado pelo seu gentil convite. Apesar de
eu ser uma espécie de Santo Judeu, tenho
estado ausente da
Sinagoga há tanto tempo, que receio que
Deus não me iria reconhecer, e se me
reconhecesse seria ainda pior.
Com os meus
melhores cumprimentos e votos de bons
feriados para si e para a sua congregação.
Agradecendo mais uma vez, |
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Em sua obra
Como Vejo o Mundo no tema religiosidade,
Einstein procura enfatizar seu ponto de vista do
mundo e suas concepções em temas fundamentais à
formação do homem, tais como o sentido da vida, o
lugar do dinheiro, o fundamento da moral e a
liberdade individual. O Estado, a educação, o senso
de responsabilidade social, a guerra e a paz, o
respeito às minorias, o trabalho, a produção e a
distribuição de riquezas, o desarmamento, a
convivência pacífica entre as nações são alguns dos
temas que ele trata, entre outros.
Um breve discurso de
Albert Einstein:
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O espírito
científico, fortemente armado com seu
método, não existe sem a religiosidade
cósmica. Ela se distingue da crença das
multidões ingênuas que consideram Deus um
Ser de quem esperam benignidade e do qual
tem o castigo - uma espécie de sentimento
exaltado da mesma natureza que os relações
do filho com o pai - um ser com quem também
estabelecem relações pessoais, por
respeitosas que sejam. Mas o sábio, bem
convencido, da lei de causalidade de
qualquer acontecimento, decifra o futuro e
o passado submetidos às mesmas regras de
necessidade e determinismo. A moral não lhe
suscita problemas com os deuses, mas
simplesmente com os homens. Sua
religiosidade, consiste em espantar-se, em
extasiar-se diante da harmonia das leis da
natureza, revelando uma inteligência tão
superior que todos os pensamentos humanos e
todo seu engenho não podem desvendar,
diante dela, a não ser seu nada
irrisório. Este sentimento desenvolve a regra
dominante de sua vida, de sua coragem, na
medida em que supera a servidão dos desejos
egoístas. Indubitavelmente, este sentimento
se compara àquele que animou os espíritos
criadores religiosos em todos os tempos. |
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Em 2008,
veio ao público uma carta de propriedade de um
colecionador particular, cuja autoria é de Einstein
onde ele escreve em determinado trecho que Deus
segundo crenças populares é fruto da fraqueza
humana, sendo a Bíblia uma coleção de lendas
honradas ainda que primitivas, infantis. Nesta
suposta carta Einstein ainda cita a religião
judaica, desprezando qualquer diferença entre o povo
judeu em relação aos outros povos. Essa carta
levanta questões sobre a posição de Einstein em
relação ao fanatismo religioso e as superstições,
ele apresenta uma posição bastante crítica em
relação a forma extrema da religião. Pois para visão
de Einstein Deus não tinha formas antropomórficas,
mas ele tinha uma visão de Deus semelhante a
Bento de Espinosa. - Valendo a ressaltar que
esta validade da carta ainda está passando a exame
de provas históricas e que ela apresenta uma
deficiência de contextos