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Papa João Paulo II |
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Jubileu de Prata
Em
16 de outubro de 2003, o Papa João Paulo II completa 25 anos no comando da
Igreja Católica. Em dois mil anos de cristianismo, apenas quatro papas
tiveram um pontificado de mais de 22 anos.E João Paulo II é um deles.
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Luta pela Paz
João Paulo 2º completa hoje 25
anos à frente da Igreja Católica, sempre orando pela paz dos
povos
O
envolvimento pessoal do papa João Paulo 2º na luta pela paz
começou já em novembro de 1978, no mês seguinte à sua
eleição, para evitar uma guerra entre Argentina e Chile, na
disputa pelo Canal de Beagle.
No
dia 23 de dezembro, véspera do Natal, os dois países
aceitaram a mediação da Santa Sé, cujo representante, o
cardeal Antonio Samorè, conseguiu um acordo que afastou o
risco de um iminente conflito armado.
"Alcançar a paz é a súmula e o coroamento de todas as nossas
aspirações", escreveu João Paulo 2º, em sua mensagem para o
Dia Mundial da Paz, no dia 1º de janeiro de 1979. "A paz é
obra nossa, que exige a nossa ação corajosa e solidária",
advertiu em seguida, convidando os cristãos a não terem medo
de apostar na paz, "que será a última palavra da História".
Em três meses de pontificado, o polonês Karol Wojtyla, de 58
anos, um homem marcado pela opressão de dois regimes
totalitários - o nazismo e o comunismo, que dominaram
sucessivamente a Polônia, de 1939 a 1989 -, mostrou que
faria o que estivesse a seu alcance, pela palavra e pela
ação, para o mundo viver em paz.
Do Chile de Augusto Pinochet a Cuba de Fidel Castro,
visitaria mais de 130 países, independentemente de
ideologias e sistemas políticos, em 102 viagens
internacionais.
"Além de escrever e falar em defesa da paz, o papa se
envolveu pessoalmente, com gestos concretos", observa o
cardeal dom Cláudio Hummes, arcebispo de São Paulo,
lembrando a viagem que João Paulo 2º fez ao Cazaquistão,
quando o Afeganistão, país vizinho, acabava de ser invadido
por tropas americanas na investida do presidente George
Walker Bush contra o terrorismo.
"O mal, o mysterium iniquitatis (mistério da iniqüidade),
não tem a última palavra nas vicissitudes humanas", advertiu
João Paulo 2º em janeiro de 2002, pressentindo que novos
conflitos e guerras pudessem abalar o mundo, em resposta aos
atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos,
quando "em poucos minutos, milhares de pessoas inocentes, de
várias procedências étnicas, foram horrorosamente
massacradas".
Exemplos mais recentes do empenho do papa na construção da
paz - uma obstinação, nos 25 anos de seu pontificado, aos 83
anos - foram a mobilização diplomática da Santa Sé e os
apelos pessoais que fez em discursos e audiências para
evitar a guerra e a violência, em março deste ano, no
Iraque. Repetindo o que fizera em 1991, quando tentou em vão
impedir a Guerra do Golfo, o papa interveio junto às partes
envolvidas, trocando mensagens e telefonemas com dirigentes
de Bagdá e Washington, cujos representantes recebeu em
audiência no Vaticano. João Paulo 2º planejou viajar a Bagdá
para dissuadir, com sua presença, um ataque das tropas
americanas.
Desaconselhado por seus assessores a tomar essa iniciativa,
ele ficou "profundamente amargurado", segundo o cardeal Pio
Laghi, seu emissário a Washington, quando soube que Bush deu
um ultimato a Saddam Hussein. "Conflitos armados põem em
risco a esperança da humanidade de um futuro melhor",
advertiu o papa, ao pedir orações pelas vítimas da guerra.
Ao visitar a Croácia, em junho deste ano, João Paulo 2º
voltou a lembrar a tragédia de milhares de famílias que
sofreram e perderam seus parentes no conflito de Kosovo, na
antiga Iugoslávia, em maio de 1999.
O
esforço de João Paulo 2º em favor da paz será o tema da
conferência que o secretário de Estado, cardeal Angelo
Sodano, fará sábado, no Vaticano, na comemoração dos 25 anos
de pontificado. |

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Convivência
em Grupos
O
papa sempre defendeu a convivência entre grupos,
independentemente de religião, cor, nacionalidade e
condições sociais.
"A proveniência étnica, a língua, a cultura, a crença
religiosa constituem freqüentemente uma série de
obstáculos", disse o papa no Dia Mundial da Paz, em 1º de
janeiro de 1997, quando a Igreja começava a se preparar para
o início de um novo milênio.
"É tempo de nos decidirmos a empreender, juntos e de ânimo
firme, uma verdadeira peregrinação de paz, cada qual a
partir da situação concreta em que se encontra", convidava
então João Paulo 2º.
Para vencer as dificuldades do caminho, fez um apelo à
tolerância entre os povos. "O perdão oferecido e aceito é a
premissa indispensável para caminhar rumo a uma paz
autêntica e estável", acrescentou.
Em janeiro de 2003, o papa retomou um discurso antigo, para
insistir que não há paz sem liberdade. "O respeito pela
liberdade dos povos e das nações é parte integrante da paz",
havia escrito na mensagem de janeiro de 1981, quando tropas
da antiga União Soviética ocupavam o Afeganistão e os
metalúrgicos começavam a se mobilizar para livrar a Polônia
da influência de Moscou. João Paulo 2º visitou a Polônia em
junho de 1979 e apoiou Lech Walesa. |

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Relações com 174 países
"Tudo o que aconteceu no Leste Europeu nesses últimos anos
teria sido impossível sem a presença deste papa e sem o
importante papel - inclusive papel político - que ele
desempenhou no cenário mundial", escreveu em 1992 Mikhail
Gorbachev, o construtor da perestroika, que levou ao fim do
comunismo na União Soviética.
Foi um trabalho lento, paciente, às vezes clandestino, que
João Paulo 2º empreendeu em nome da paz. Embora condenasse a
doutrina e os métodos comunistas, buscou o diálogo com os
dirigentes dos países socialistas.
Era o início de uma prática que se estenderia pelos anos
seguintes. A Santa Sé ampliou de 85 para 174 o número de
países, de diferentes ideologias e regimes políticos, com os
quais mantém relações diplomáticas.
Preocupado com a situação no Oriente Médio, o papa
reconheceu o Estado de Israel ao mesmo tempo que defendia a
autonomia para os palestinos. Nesse esforço, João Paulo 2º
reuniu-se com primeiros-ministros israelenses e conversou
várias vezes com Yasser Arafat, então presidente da
Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
O
papa que havia rezado pelas vítimas do Holocausto no campo
de concentração de Auschwitz e visitado a principal sinagoga
de Roma, a mais antiga da diáspora, viajou em março de 2000
à Terra Santa, denominação cristã que engloba terras
israelenses, árabes e palestinas.
Seu sonho era estender a peregrinação à Rússia, em busca de
reconciliação e paz com os cristãos ortodoxos. Não conseguiu
ser convidado. O patriarca da Igreja Ortodoxa Russa vetou a
viagem, antes e depois da queda do regime comunista. Embora
restrito e tímido, algum diálogo tornou-se possível com os
ortodoxos de outros países do Leste, como a Ucrânia e a
Bulgária, que o papa visitou recentemente.
Sem fazer concessões em questões de princípio e de doutrina,
João Paulo 2º reviu o comportamento da Igreja e bateu no
peito, fazendo um mea culpa pelos erros cometidos no
passado. |
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Adeus a João Paulo II
Nasceu em 18 de
maio de 1920 em Wadowice, sul da Polônia.
Morreu em 2 de abril de 2005 no Vaticano, Italia
Que Deus guarde a sua Alma.
Sumo Pontíficie O primeiro papa
não Italiano desde 1523 A sua enorme energia, número de
viagens sem precedentes e forte conservadorismo religioso
ajudaram a espalhar a influência do posto Papal tanto no
mundo Católico como no mundo não Católico. Karol Wojtyla,
nasceu no dia 18 de Maio de 1920 em Wadowice, Polónia.
Estudou poesia e drama na Universidade Jagieloniana. Durante
a Segunda Guerra Mundial (1939- 1945), completou o curso
universitário no Instituto Angelicum de Roma e doutorou- se
em teologia na Universidade Católica de Lublin. Até ser
nomeado bispo auxiliar de Cracóvia em 1958, foi capelão
universitário e professor de ética em cracóvia e Lublin. Em
1964, Wojtyla assume as funções de arcebispo de Cracóvia, e
em 1967, chega a cardeal.
Um activo participante no Conselho Vaticano Segundo,
representou igualmente a Polónia em cinco sinodos
internacionais de bispos entre 1967 e 1977. Foi eleito Papa
a 16 de Outubro de 1978, sucedendo a João Paulo I. Wojtyla
adoptou então o nome João Paulo II. A 13 de Maio de 1981,
foi atingido a tiro e gravemente ferido durante uma
tentativa de assassinato quando entrava na Praça de São
Pedro, no Vaticano.
João Paulo II publicou livros de poesia e, sob o pseudónimo
Andrzej Jawien, escreveu uma peça de teatro, "A Loja do
Ourives" (1960). Os seus escritos éticos e teológicos
incluem "Amor Frutuoso e Responsável" e "Sinal de
Contradição", ambos publicados em 1979. A sua primeira
Encíclica, "Redemptor Hominis" (Redentor dos Homens, 1979),
explica a ligação entre a redenção por Cristo e a dignidade
humana. Enciclicas posteriores defendem o poder da
misericórdia na vida dos homens (1980), a importância do
trabalho como "forma de santificação" (1981), a posição da
igreja na Europa de Leste (1985),os males do Marxismo,
materialismo e ateísmo (1986) o papel da Virgem Maria como
fonte da unidade Cristã (1987), os efeitos destructivos da
rivalidade das superpotências (1988), a necessidade de
reconciliar o capitalismo com a justiça social (1991) e uma
argumentação contra o relativismo moral (1993).
A 11ª encíclica de João Paulo II, "Evalegium Vitae" (1995),
reitera a sua posição contra o aborto, controlo de
natalidade, fertilização in vitro, engenharia genética e
eutanásia. Defende também que a pena capital nunca é
justificável. A sua 12ª encíclica, "Ut Unum Sint" (1995)
refere temas que continuam a dividir as igrejas Cristãs,
como os sacramentos da Eucaristia, o papel da Virgem Maria e
a relação entre as Escrituras e a tradição. Nos anos 80 e
90, João Paulo II efectuou várias viagens, incluindo visitas
a África, Ásia e América; em Setembro de 1993 deslocou- se
às repúblicas do Báltico na primeira visita papal a países
da ex- União Soviética. João Paulo II influenciou a
restauração da democracia e liberdades religiosas na Europa
de Leste, especialmente na sua Polónia natal.
Reagindo ferozmente à dissidência no interior da Igreja,
reafirmou os ensinamentos Católicos Romanos contra a
homossexualidade, aborto e métodos "artificiais" de
reprodução humana e controlo de natalidade, assim como a
defesa do celibato dos padres. No ano 2000, o Ano Sagrado em
que a Igreja reflectiu os seus 2000 anos de História, João
Paulo II pediu perdão pelos pecados cometidos pelos Católico
Romanos.
Apesar de não ter mencionado erros específicos, diversos
cardeais reconheceram que o papa se referia ás injustiças e
intolerância do passado relativamente aos não-Católicos.
Nestes males reconhece- se o período das Cruzadas, da
Inquisição e a apatia da igreja. O pedido de desculpas
precedeu uma deslocação de João Paulo II à Terra Santa. João
Paulo II resistiu à secularização da igreja. Ao redifinir as
responsabilidades da laicização, dos padres e das ordens
religiosas, rejeitou a ordenação das mulheres e opôs- se à
participação política e à manutenção de cargos políticos
pelos padres.
Os seus movimentos ecuménicos iniciais foram dirigidos para
a Igreja Ortodoxa e para o Anglicanismo, e não para o
Protestantismo Europeu |

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