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A
seguir trechos de um escrito para o jornal Viver Cidade.
O destino da área do Viveiro de mudas Jacques Costeau sempre foi
uma incógnita. Com puco mais de 67 mil metros quadrados, vinha e
vem sendo desprezada, admirada e cobiçada pelos mais diversos
motivos e interesses. Fato que deve estar fazendo o oceanógrafo
francês e ferrenho defensor do meio ambiente, revirar em seu
túmulo.
Durante as últimas décadas, diversas foram as finalidades
pretendidas para a área que nós, os moradores de Interlagos,
insistimos em chamar de "Laguinho".
Sua primeira destinação ocorreu na décade de 20, quando foi
transformado em viveiro de mudas, pela Sociedade Anônima
Auto-Estrada. O plano original era o de transformar a área entre os
lagos da represa Billings e Guarapiranga - que para o urbanista
francês Alfred Agache, lembrava a região Suiça de Interlaken - em
um dos mais ambiciosos projetos residênciais aliados à qualidade
de vida: o projeto Interlagos. Foi assim que nasceu o bairro e a sua
denominação.
Enquanto as ruas da Cidade Satélite de Interlagos eram abertas e
os lotes recebiam infra-estrutura urbana, como água, luz,
calçamento e amplas avenidas, o viveiro era implantado. Na área
que abrigava seis nascentes e vegetação remanescentes da Mata
Atlântica de planalto, a topografia não era das melhores. Mas,
servia para abrigar os canteiros de plantas ornamentais e
frutíferas que se pretendia produzir. Além disso, a água era
abundante. Quando
uma pequena barragem foi construída para represar os pequenos
riachos, que corriam colina abaixo em direção à represa e
inviabilizavam a transformação de diversas áreas em lotes
residênciais, o viveiro ganhou um lago. E a paisagem ficou
completa! Os
novos moradores começavam a chegar. Plantavam suas casas e sua
árvores. Todas saídas do viveiro. Interlagos foi se transformando
em uma ilha verde e o viveiro passou a ser considerado o
"pulmão do bairro". São
Paulo àquela época, crescia vertiginosamente. E em direção
à Zona Sul. O
parque industrial de Santo Amaro se consolidava. Os trabalhadores
chegavam em grande número e, com eles a necessidade de áreas de
habitação de baixo custo. A represa Guarapiranga que, além da
função de gerar energia elétrica, agora também abastecia a
população, vai sendo cercada por projetos não tão cuidadosos,
que agridem a natureza, comprometendo a qualidade das águas e a
qualidade da vida que atraíra seus moradores primitivos. Começavam
a surgir novos "projetos" para o viveiro. Transformá-lo
em atração para turistas, com direito a pedalinhos no lago. Áreas
de pic-nic e muito mais era um deles. Falou-se também em construir
na área um novo prédio para a Santa Casa. E se falou muito mais.
Mas, só se falou. O viveiro continuou a ser viveiro. Já o lago
começou a ser frequentado por crianças que queriam nadar enquanto
suas mães lavavam roupas. Alguns moradores mais antigos relatam
tentativas de ocupação da área. O certo é que piranhas foram
introduzidas nas água do lago, na tentativa de afastar os
"incômodos" visinhos. E ainda houve dois casos de
afogamento. Toda
esta situação causou reações. A área residencial e dos clubes
com presença consolidada na região, passou a isolar-se cada vez
mais e se transformou em verdadeiros enclaves, completamente
fechados para a vizinhança imediata. Os moradores e a área
"da qual se descortinaria o panorama mais completo e mais belo
dos lagos e das montanhas de Interlagos", sofrem com as
circunstâncias estranhas para o que fora planejado. O
viveiro é então fechado e passa a ser administrado pela Prefeitura
Municipal de São Paulo. Recebe o nome de "Viveiro Operacional
de Interlagos". Hoje
o Laguinho é habitado por inúmeras espécies de peixes, répteis, anfíbios
e aves, entre elas, jacarés, tartarugas e piranhas.
A jornalista Angela Rodrigues Alves moradora
nas proximidades do Viveiro Comandante Jacques Costeau, vem defendendo o local
com apoio de lideranças do bairro. Para
proteger o "Laguinho" foi criada em 9 de novembro de 2002
a Organização não governamental "Fiscais da Natureza",
para preservar sua origem e destinação, o Viveiro Comandante
Jacques Costeau. Tendo como incumbência, criar mecanismos para sua
recuperação ambiental e proteção de sua fauna, flora e valores
turístico paisagísticos. A
ONG Fiscais da Natureza, pretende, estabelecer novas alianças
estratégicas para a promoção, apoio e desenvolvimento de ações,
através de projetos realizados sob o patrocínio de entidades
públicas ou privadas, ou com recursos próprios. O
site dos Fiscais da Natureza é: www.fiscaisdanatureza.org.br
, e o telefone: 55-11 - 5660-6229. |