|
Tratado de Kioto
|
|
|
Lançamento (indíce)
Em dezembro de 1997, as
Nações Unidas celebraram em Kioto, Japão, a Convenção sobre a Mudança
Climática. |
|
Entrada em vigor (indíce)
Quarta feira - dia 16 de
fevereiro de 2005 |
|
Tratado de Kioto (indíce)
Controle da emissão de gases pelas nações
Tratado, realizado
na cidade de Kioto no Japão entre 141 nações, para a redução da emissão
de gases que aumentam o efeito estufa na atmosfera, que por sua vez
aumenta o aquecimento global em nosso planeta.
O objetivo de Kioto é uma redução média de 5% dos gases poluentes até
2012, tendo como base os valores de 1990.
Hoje, estas nações
são responsáveis por 60% dos gases emitidos na atmosfera.
Com o aumento da
queima de combustíveis fósseis como carvão, gasolina e petróleo, a
emissão de gás carbônico também cresceu e, junto de gases como o metano,
óxido nítrico e clorofluorcarbono (CFC) retém o calor, fazendo com que o
planeta aqueça - princípio do efeito estufa. O aquecimento da terra
provoca uma série de distúrbios no clima e na natureza, como ciclones e
calor excessivo no sul do país por exemplo, que são anomalias que
modificam o processo e os modelos de circulação do ar.
As conclusões foram
alcançadas por mais de 2 mil cientistas que colaboraram num relatório
patrocinado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC),
máxima autoridade científica no assunto.
A mudança climática,
garante o relatório do IPCC, diminui com a redução dos gases estufa.
Esta é também a
conclusão da tese do famoso estudo de Michael Mann, professor da
Universidade de Massachusetts que fez um relatório, no final da década
de 1990, em que mostra como as temperaturas aumentaram desde o início da
revolução industrial.
O Protocolo é apenas
o primeiro passo para evitar o aquecimento da terra. Esta primeira
iniciativa demonstrará a viabilidade de reduzir as emissões e propiciar
que se desenvolvam tecnologias mais limpas para a produção de energia", |
|
Não cumprimento (indíce)
O
professor do Departamento de Oceanografia da Universidade Estadual do
Rio de Janeiro (Uerj), David Zee, afirma que dentro de 100 anos, se os
níveis de emissão de gases do efeito estufa não forem estabilizados, 60%
da zona costeira desaparecerão pelo aumento dos níveis dos mares e
oceanos. "Por causa desse e outros problemas é que a implementação do
Protocolo de Kioto se torna cada vez mais importante", lembra Zee. |
|
Efeito estufa
Sem
o efeito estufa a Terra estaria coberta de gelo. O efeito estufa faz
parte de um processo natural que permite a perpetuação da vida na Terra.
A questão hoje é o agravamento dessa tendência natural. Os cientistas
estão de acordo de que, se há CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera, a
Terra irá, em algum momento, passar por um período de aquecimento. A
questão se resume a quando se dará este aquecimento. Grande parcela da
população mundial que vive próxima ao mar enfrentará sérios problemas,
pois tem-se verificado o aumento do nível dos oceanos. E mesmo que
parássemos de emitir os gases que formam o efeito estufa, o nível do mar
continuaria subindo. O aquecimento do planeta já faz parte de um
processo natural do sistema. A liberação do CO2 agrava o problema.
Warren Wiscombe físico da
Nasa |
|
Estudos (indíce)
Folha - 2 novembro de 2001 (indíce)
Estudo, publicado na "Science" (www.sciencemag.org), uma dupla de
oceanógrafos americanos joga areia em uma das soluções mais criativas já
imaginadas para retirar da atmosfera o excesso do gás carbônico
produzido pela queima de combustíveis fósseis: o bombeamento para o
fundo do oceano.
Esse "sequestro" oceânico é defendido como uma alternativa barata à
substituição do modelo energético dos países ricos. Com uma tecnologia
barata, é possível capturar o CO2 e bombeá-lo em grandes profundidades.
Mares mais ácidos.
O problema é que ninguém perguntou aos peixes o que eles achavam disso.
Brad Seibel e Patrick Walsh descobriram que eles não iriam gostar.
O gás carbônico retirado da atmosfera provocaria uma alteração no pH da
água do mar, deixando-a um pouco mais ácida. Animais de águas mais rasas
reagem bem a essa mudança. Mas os animais que vivem a grandes
profundidades têm um metabolismo até mil vezes mais lento do que os da
superfície. Segundo os americanos, uma maior acidez teria um efeito
amplificado sobre o sistema respiratório desses animais, reduzindo sua
capacidade de eliminar gás carbônico. Em outras palavras, eles morreriam
asfixiados.
"Precisamos de mais estudos para avaliar a extensão do bombeamento de
CO2 e prever suas consequências no ecossistema", afirma Seibel.
Folha - 2 novembro de 2001 (indíce)
Estudo publicado anteontem na revista britânica "Nature" (www.nature.com)
por um trio de pesquisadores liderado pelo biólogo Yiqi Luo, da
Universidade de Oklahoma, EUA. Eles afirmam que, pelo menos em um
ecossistema específico -as pradarias do Estado de Oklahoma-, plantas e
animais do solo podem se aclimatar com facilidade ao aumento da
temperatura.
A reação do solo ao aquecimento global é uma preocupação dos cientistas.
Com o aumento da temperatura, as raízes das plantas e os animais
aumentariam a taxa de respiração -mecanismo pelo qual o oxigênio é
retirado do ar e o gás carbônico (CO2) é liberado.
Como o CO2 é o principal responsável pelo efeito estufa, uma maior taxa
de respiração do solo corresponderia a uma liberação maciça de gás
carbônico no ar, com consequências desastrosas para o clima. Um modelo
desenvolvido no ano passado pelo norte-americano Paul Cox previa, em
decorrência da resposta do solo, um aumento de 8ºC na temperatura
terrestre em 2100. A cada 10ºC de temperatura a mais, a taxa de
respiração deveria dobrar.
Para testar a previsão catastrófica, Luo e seus colegas usaram lâmpadas
de infravermelho para aquecer em 2ºC várias porções de pradaria num
período de um ano.
No final do experimento, perceberam que a taxa de respiração -cujo
aumento esperado era de 20%- não ficou muito diferente da de lotes que
não sofreram nenhum aquecimento.
Os autores atribuem essa redução a um mecanismo de "aclimatação" rápida
do solo, que reduz a sensibilidade do ecossistema a subidas no
termômetro. Eles dizem ainda não saber direito por que isso acontece,
mas acreditam que a secura causada pelo aquecimento possa reduzir a
atividade das raízes e dos micróbios do solo.
Em comentário ao estudo na "Nature", Lindsey Rustad, da Universidade do
Maine, afirma que estudos anteriores, que mostravam aumento na taxa de
respiração, não haviam observado a reação do ecossistema a longo prazo.
"Extrapolar a partir dos efeitos de curto prazo pode dar uma impressão
errada", disse.
Projeto Canguçu (fevereiro de 2005)
(indíce)
Executado pelo Instituto
Ecológica, organização não-governamental que atua na área de
consultoria, planejamento e desenvolvimento ambiental, o Projeto Canguçu
foi o pioneiro em “seqüestro de carbono” no País. “Todo o nosso trabalho
está em torno das mudanças climáticas no mundo. Então, o que nós
pesquisamos e trabalhamos são formas de prevenir e amenizar os impactos
dessas mudanças”, explica a diretora do Instituto, Tereza Rodrigues. O
local escolhido pelo Ecológica para desenvolver o projeto de seqüestro
de carbono foi a Ilha do Bananal. “É um ecossistema único, de transição
entre o pantanal, a floresta amazônica e o cerrado”, justifica a
diretora.
Maior ilha fluvial do mundo, com 2 milhões de hectares, a Ilha do
Bananal, localizada na região sudoeste do Estado, faz parte da Área de
Proteção Ambiental do Cantão e do Parque Nacional do Araguaia. O projeto
abrange cinco municípios a Leste e Norte da ilha: Caseara, Lagoa da
Confusão, Dueré, Cristalândia e Pium. Foi planejado em um horizonte de
25 anos. “O maior propósito desse projeto é a pesquisa nessa área
(Centro de Pesquisa Canguçu) e o desenvolvimento das comunidades
locais”, declara Tereza. Os números impressionam. De acordo com as
perspectivas, em 25 anos, haverá a preservação de 200.000 hectares que
seqüestrarão 21.000.000 de toneladas de carbono; a regeneração de 60.000
hectares de áreas de floresta e cerrado, o que captará mais 3.900.000
toneladas de carbono e ainda a implantação de sistemas agroflorestais,
que captarão mais 210.000 toneladas. Ao todo, no período estipulado pelo
projeto, serão absorvidos pela vegetação da Ilha, nada menos que
25.110.000 toneladas de carbono. Um verdadeiro pulmão.
Quanto ao comércio de créditos, Tereza Rodrigues diz não fazer parte dos
interesses da empresa. “Na verdade, o que houve foi um financiamento do
projeto pela empresa inglesa AES Barry Fundation, do ramo de petróleo.
Nosso objetivo não é o lucro, e sim a pesquisa científica acompanhada do
desenvolvimento sustentável”, ressalta a diretora do Instituto, sediado
em Palmas, e que possui escritórios de representação em Brasília e no
Reino Unido.
Segundo Tereza, além do conhecimento advindo com a pesquisa, existe uma
preocupação com as comunidades locais, em especial as indígenas.
“Promovemos a essas comunidades uma reeducação ambiental para que elas
extraiam da natureza uma forma de viver, mas preservando-a ao mesmo
tempo”, diz. Entre as atividades executadas pelo Instituto Ecológica em
benefício dos índios, está o Fomento do Ecoturismo, a Apicultura e um
Programa de Artesanato. Esse lado do projeto é chamado de “Carbono
Social”. É o progresso tecnológico acompanhado pela consciência da
preservação ambiental.
Projeto de Palmas (fevereiro de 2005)
(indíce)
Na capital do Tocantins, uma
iniciativa de seqüestro de carbono, lançada em julho do ano passado,
também vem se destacando no Brasil e no Mundo. Segundo Marcelo Lélis,
presidente da Amatur, a idéia é inédita no Brasil. “É o único projeto de
absorção de carbono que está sendo desenvolvido em uma área urbana”,
ressalta. Isso o diferencia de projetos como o da Ilha do Bananal e um
outro realizado no Mato Grosso, que são executados em áreas florestais.
A potencialidade de Palmas para se inserir em uma iniciativa como essa
está em sua capacidade de absorção de gás carbônico. “Palmas possui uma
área verde de 4.530 hectares. Sendo que 2.900 são de preservação, 1.500
de reflorestamento e 130 de jardins”, explica Luís Henrique Piva,
gerente de projetos da Amatur. Para se ter uma idéia, São Paulo, por
exemplo, tem 4m² de área verde por habitante, Brasília 110m². Palmas
possui 180m² de área verde.
De acordo com estudos realizados pela agência, Palmas tem a capacidade
de “seqüestrar” anualmente 78.000 toneladas de carbono. |
|
Início conturbado (indíce)
O
Tratado de Kioto, entra em vigor sem a participação dos EUA,
ocupando um posição diferente em questão de meio ambiente mantida pelo
governo de George W. Bush frente à maioria de seus aliados e sócios
comerciais.
Os
Estados Unidos, que hoje com 20,6% das emissões de gases que causam o
estufa, é o país que mais polui no mundo, tendo-se retirado da
negociação do Tratado em 2001, por considerar que a aplicação deste
protocolo em seu território representaria a perda de milhões de postos
de trabalho e de dólares.
O
governo de Bush se esquiva com a sustentação de que a relação entre os
gases de efeito estufa e o aquecimento global não está clara, defendendo
uma pesquisa mais apurada, desconsiderando as conclusões alcançadas
pelos mais de 2 mil cientistas que colaboraram para um relatório
patrocinado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC),
máxima autoridade científica no assunto.
Nem
a defesa do Protocolo de Kioto feita por seu aliado, o primeiro-ministro
britânico Tony Blair, serviu para mudar a postura do governante
americano, que acrescentou "a maioria nem sempre tem razão, mas merece
ser escutada".
Os
EUA também não assinaram o Protocolo de Cartagena, aprovado por 111
nações, que exige que os exportadores de produtos alterados
geneticamente ofereçam informações aos consumidores.
O
país também não aderiu à Convenção de Estocolmo, que procura reduzir ou
eliminar uma família de produtos químicos perigosos conhecidos como
contaminantes orgânicos.
Está
também isento da Convenção sobre Diversidade Biológica, na qual
participam praticamente todos os países do mundo.
Para
muitos, a posição oficial de Washington com os temas ambientais, reflete
o fracasso dos grupos de ecologistas para conscientizar a opinião
pública dos perigos eminentes.
Apesar da posição americana, Richard Boucher, porta-voz do Departamento
de Estado, garantiu que apesar de não participar do Tratado de Kioto, os
EUA destinarão 5 bilhões de dólares em 2005 às pesquisas tecnologicas
relacionadas à mudança climática |
|
Comércio (indíce)
A
contribuição dos países em desenvolvimento à redução dos gases estufa é
fundamental, segundo o Banco Mundial, para o sucesso do Protocolo de
Kioto. Países como Chile, Marrocos e Índia participam de projetos de
redução de emissões de dióxido de carbono (CO2) que são negociados sob a
supervisão do Banco Mundial.
Foi
instituído um comércio de redução de emissões que permite a um país
pobre vender sua cota a outros países que podem utilizá-la para cumprir
os objetivos de Kioto.
Os especialistas do Banco Mundial prevêem um aumento na negociação de
emissões nos próximos anos.
Seria muito caro para o mundo industrializado atingir os objetivos de
Kioto mediante projetos nacionais, por isso eles investirão em energias
sustentáveis nos países pobres, para posteriormente comprar a redução de
gases que essas energias geram e contabilizá-la a seu favor.
No
total, os países desenvolvidos deverão adquirir aproximadamente 3
bilhões de toneladas de reduções de CO2 no exterior, segundo explicou em
entrevista coletiva Ken Newcombe, responsável pelo Fundos de Carbono do
Banco Mundial.
O
Chile é um dos países em desenvolvimento que se preparou para este
mercado. Marcela Main, do departamento de Relações Internacionais da
Comissão de Meio Ambiente chilena, explicou que segundo o Banco Mundial,
o Chile é o terceiro país que oferece mais emissões e o segundo melhor
para se investir neste tipo de projeto. Segundo Main, o peso do setor
privado, a falta de corrupção no país e a força da economia chilena
permitiram ao país ocupar um posto de liderança na América Latina no
comércio de emissões.
O
Banco Mundial administra perto de US$ 800 milhões em fundos de emissões
de dióxido de carbono. |
|
(indíce) |
|